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Auto piedade, vitimismo, coitadismo...

March 27, 2019

 

Autopiedade, incapacidade fantasiosa, cárcere auto imposto, castigo, culpa, lamentação, resignação e reclamação. E tudo isso como se tivesse arrastando correntes com pesos de chumbo por onde passa...

Esse é o retrato daquele que carrega em si o complexo de vítima.

 

Um perfil preocupante, justamente por fazer o indivíduo crer que não é capaz de ter a própria vida nas mãos.

Buscam então através das reclamações que alguém se compadeça e os ajudem a mudar a própria vida.

 

Alguns até se compadecem e tentam, mas existem coisas que ninguém realmente pode fazer por nós. Outros tantos sentem pena, repulsa, desprezo e aversão. O que só aumenta a sensação de ser um “coitadinho” realmente.

 

O coitadinho busca amor, atenção e um salvador, mostrando ao mundo o quanto sofre! Por trás de sua “coitadez”, com frequência se encontra alguém que se acredita muito especial por aguentar isso tudo e que muitas vezes não sai de relacionamentos tóxicos por achar que o outro não sobreviveria sem ele.

 

Nesse poço de “coitadez” também encontramos muitas fantasias negativas a respeito da realidade e especialmente de si mesmo, aonde não importa a situação, a vida vai ser vista mais ou menos dentro do prisma de vitimismo. Julgando-se inferior e incapaz.

 

Outro problema é que sabemos que os humanos fazem muitos acordos inconscientes, e toda vítima precisa de um algoz se quiser ser vítima. Não raro, esse vai ser o perfil que os sofredores por vocação procurarão (sem saber) para se relacionar.

 

E vejam que triste é relacionar-se com alguém por uma necessidade de desempenhar um papel, e não por amor.

 

E qual seria o ganho em se viver desta forma? Honestamente não vejo muitos, mas existe um que se destaca além do ganho de atenção: por piedade, os outros tendem a pegar leve com o coitadinho. Passam a mão na cabecinha dele e dizem que vai ficar tudo bem.

 

Olhem que dinâmica complicada: se você passa a mão na cabeça do coitado, você acaba reforçando a crença de que ele realmente está em maus lençóis. Se você ignora ou retruca, ele vai se sentir desprezado e um belo coitado!

 

A "vítima" precisa tomar para si a responsabilidade pela própria vida; precisa compreender e experimentar outras formas de funcionamento que podem ser muito mais gratificantes do que o lugar de auto piedade.

Ela precisa sim de um salvador, mas esse salvador não será encontrado fora, apenas dentro de si;  é preciso resgatar toda a projeção que ela faz no mundo externo e devolvê-la ao seu domínio de direito.

 

No fim das contas o algoz número 1 da vítima é ela mesma.

 

Ser, ou melhor, parecer uma vítima, pode ser muito vantajoso. Uma pessoa que é vítima de algo, de uma forma ou de outra, acaba sendo poupada das críticas dos outros e conta com a compaixão e a compreensão de muitas pessoas, independente do que façam. Na verdade, aqueles que questionam as ações de uma suposta vítima pode até mesmo serem vistos como insensíveis.

 

A vitimização é, em muitos casos, uma estratégia que traz mais benefícios do que problemas para a pessoa, esta condição permite criar uma espécie de imunidade que faz parecer que tudo o que a vítima diz é verdade e que tudo o que ela faz é bem intencionado. Mas, em alguns casos, esse vitimismo calculado, consciente ou inconsciente, esconde uma chantagem.

 

É claro que existem situações reais de vitimização, onde a pessoa possa ter passado por exemplo por uma situação onde sofreu um abuso ou um excesso de autoridade, onde não há nenhuma chance de reagir ou se defender.

 

Se alguém for atacado na rua, por exemplo, a pessoa que ataca pode ter um poder que a vitima não pode enfrentar: pode ser uma arma, um uniforme, um cargo, etc.

 

Esse tipo de situação dá origem a uma condição objetiva de vitimização. Mas é uma condição passageira, que não deve ser usada como um rótulo que a pessoa leve consigo para todo lugar.

 

Depois de sair de uma situação de impotência, continuar no papel de vítima é uma opção, não uma realidade definitiva.

 

Uma coisa é certa: a vítima exige atenção, cuidados, apoio e carinho. A pessoa necessita dessa dedicação e compreensão para sair do seu estado de choque e vulnerabilidade, e isso nem se discute.

 

Na verdade, estamos falando da vitimização como posição existencial. É quando um acontecimento traumático se converte em uma espécie de carteira de identidade eterna.

 

A pessoa usa a sua condição de vítima, não porque foi testemunha de algo ou presenciou um crime, mas para ganhar privilégios que de outra forma não conseguiria.

 

É o tipo de pessoa que faz do seu sofrimento uma espécie de currículo, cuidadosamente apresentado.

 

Em casos mais graves, as vítimas acreditam que isso lhes dá carta branca para odiar ou machucar outras pessoas.

 

Reconhecendo a vítima manipuladora

 

Existem alguns sinais que nos ajudam a identificar quem se encaixa nesse círculo de manipulação e faz da vitimização sua forma de vida.

 

Os principais são:

 

A pessoa que faz uso da vitimização não pergunta diretamente o que você quer, mas envia mensagens imprecisas na forma de queixa ou arrependimento. Por exemplo: “Ninguém sabe o quanto me custou chegar até aqui”.

 

Então você não sabe se a pessoa quer seu reconhecimento, se está reclamando porque acredita que para você custou menos, ou quer sua ajuda para algo em particular.

 

Você se sente meio culpado quando está com essa pessoa. Cada conversa que você tem com ela deixa a impressão de que você é responsável por algo, mas não consegue definir.

 

Sente uma tristeza ou um vago desconforto com você mesmo.

O vitimista é também receoso e desconfiado, com frequência, alerta você sobre as más intenções dos outros.

 

Usa um sofrimento do passado para justificar suas maldades. E pode até acusar você de insensibilidade ou apatia se o criticar.

 

É capaz de fazer grandes sacrifícios para os outros, sem que ninguém lhe peça nada.

 

Quando uma pessoa apresenta estas características, estamos lidando com alguém que assumiu um papel de vítima perante a vida. Certamente essa pessoa não se sente feliz por ter esse tipo de comportamento sem um significado real. 

 

De qualquer forma, se trata de alguém que não chegou a fechar o ciclo de sua experiência traumática. Precisa da sua compreensão, mas também da sua sinceridade.

A melhor maneira de ajudar alguém assim é dizendo carinhosamente e diretamente o que pensa da sua atitude, e orientando a pessoa buscar ajuda profissional para que consiga fechar o ciclo, mudar a forma como se vê e por consequência obter novos padrões de comportamento.

 

Só fica a mercê do mundo externo quem ainda não se deu conta das forças que possui no mundo interno.

 

Abra mão de ser vítima para ser protagonista da sua história!

 

 

 

 

 

 

 

 

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